Uma das principais novidades introduzidas pelo novo marco regulatório
do setor elétrico é o reconhecimento formal da GD
e de sua participação efetiva no suprimento de energia
às concessionárias. O seminário visa apresentar
e discutir as implicações práticas desse
novo momento, tanto para o setor elétrico como para setores
com potencial de GD.
A GD, tecnicamente a geração elétrica
feita junto ou próxima aos consumidores (conectada diretamente
ao sistema de distribuição do comprador, conforme
definida na regulamentação), incorpora ganhos para
todo o sistema interligado. Destacam-se entre suas virtudes as
menores perdas na transmissão, a redução
das incertezas de planejamento devido ao reduzido tempo de implantação
das centrais, a melhoria da qualidade da energia, a possibilidade
de criação de serviços especiais, a redução
da ociosidade e a redundância dos sistemas existentes.
Também podemos citar a valorização
dos resíduos combustíveis e o uso da co-geração
em que o calor/frio usado no processo produtivo é um subproduto
da geração. Tudo isto contribui para produzir eletricidade
competitiva com a geração em usinas de grande porte.
No Brasil, vários fatores contribuem
para tornar a GD um caminho importante a curto prazo, como a elevação
das tarifas de transmissão e a descoberta de novas reservas
de gás natural. Além disso o país terá
em breve uma política para o gás natural onde a
co-geração ganhará importância por
ser o uso mais eficiente deste nobre combustível.
Como a oferta de energia elétrica no
país se baseou na geração central e nos longos
sistemas de transmissão, a incorporação da
GD altera um paradigma e seu desenvolvimento precisa do concurso
de novos atores e exige novas atitudes dos antigos. Assim, potenciais
geradores distribuídos precisam ter uma atitude pró-ativa
para suprir suas necessidades de energia. Por outro lado, ao definir
como tarefa central das distribuidoras a gestão do transporte
da energia até os consumidores finais (atividade fio),
a regulamentação retira resistências históricas
à GD.
Rapidamente se perceberá que, no
novo contexto, o suprimento da GD complementa, com vantagem, o
sistema atual. Os órgãos de regulação
e planejamento irão adaptar suas normas e conceitos e o
setor financeiro encontrará fórmulas para financiar
este segmento.
A entrada da GD cria um cenário propício ao desenvolvimento
de uma nova cadeia de negócios na economia que propiciará
vantagens a quem mais cedo perceber esta tendência e tomar
as iniciativas corretas.
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